Grupo Folclórico de Cantares e Danças  

                     “Os Camponeses de Navais”

               Rua do outeiro nº 9  4495-228 Navais

                           Povoa de Varzim

 

                Email: grupo.folc.navais@sapo.pt

 

Caixa de texto: Cantigas Populares

Amélia tecedeira

 

Ah Ah Ah  estou a rir

Ah Ah Ah na brincadeira

O Amélia o Amélia     bis

O Amélia Tecedeira   bis

 

O Amélia tecedeira

Tens um tear na varanda

Dá-lhe o vento dá-lhe a chuva

Dá-lhe o ar por toda a banda

 

O Amélia o Amélia

O Amélia tecedeira

Hei-de mandar vir do Porto

Um tear de laranjeira

 

Tecedeira quando canta

Encosta o tear a barriga

Quando mete a lançadeira

Perna abaixo perna arriba

 

O Amélia tecedeira

Tem um tear e não tece

Quando mete a Lançadeira

Todo o tear lhe aborrece

 

 

Regadinho

 

Agua leva o Regadinho

Agua leva o bem regar

Enquanto rega e não rega

Ao meu amor bem Falar

 

Agua leva o Regadinho

Pela minha porta abaixo

Escorreguei e caí

Parti o fundo ao tacho

 

Agua leva o Regadinho

Vai regar  quinta ao norte

O namorar é um vicio

E o casar é uma sorte

 

Vou-me por aqui abaixo

Como quem não vai a nada

Abanar a pereirinha

Que ainda não foi abanada

  coro

Agua leva o Regadinho

Agua leva o regador

Enquanto rega e não rega

Vai regar o meu amor

Pinta o bago

 

Agora é que pinta o bago

Ai agora é que anda o pintor

Agora é que eu vou falar

Ai deveras ao meu amor

 

Minha mãe case-me cedo

Ai enquanto sou rapariga

O milho sachado tarde

Ai não dá palha nem espiga

 

Chamaste-me moreninha

Ai isso e do pó da eira

Hás-de me ver ao domingo

Ai como a rosa na roseira

 

Não há dinheiro que pague

Ai a vida do lavrador

Anda ao sol e anda a chuva

Ai está sempre da mesma cor

coro

Um noite no rio outra noite no mar

Uma noite no rio aprendi a nadar

Aprendi a nadar aprendi a nadar

Uma noite no rio outra noite no mar

 

Caixa de texto: Cânticos de Janeiras

Sobreirinho Ramalhudo

 

Sobreirinho ramalhudo

Ao pé dele cai bolota

Se tens folhos ou criados

Venham-nos abrir a porta

 

Já nasceu o Deus menino

Filho da virgem Maria

Também já tocou o sino

Cantemos com alegria

 

As pessoas desta casa

São umas pessoas santas

Levai-nos a vossa adega

pra molhar nossas gargantas

 

Vimos dar as boas novas 

 já nasceu o Salvador

A família desta casa

Recebeu-nos com amor

 

Boa noite meus senhores

Queremos agradecer

As pessoas desta casa

São bairristas a valer

 

 

 

As janeiras estão a porta

 

As Janeiras estão a porta

Com a sua reverencia

Para as poder cantar

Vamos lhe pedir licença

 

Por isso senhor da casa

A licença nos vai dar

E nos prestar atenção

pra nos poder escutar

 

Escutai povo da terra

Ouvi  a voz do senhor

Foi nascido o deus menino

Veio ao mundo o redentor

 

Dai-nos de figos um quilo

E chouriço do fumeiro

Regadinho com bom vinho

E também algum dinheiro

 

Adeus gente desta casa

Passem todos muito bem

Fiquem na paz do senhor

Até o ano que vem

Cantem com alegria

 

Cantem , Cantem com alegria

Junte-se a nós e cantem também

Porque já nasceu o Menino

No presépio em Belém

 

Jesus nasceu pobrezinho

Sem mantas nem agasalhos

Vamo-nos por a caminho

Por carreiros e atalhos

 

Somos um grupo de amigos

Que vos  vimos visitar

Pedimos vossa licença

Para poder-mos cantar

 

As janeiras só se cantam

A pessoas educadas

Que nos dão vinho e dinheiro

E algumas rabanadas

 

Obrigado boa gente

Nos temos muito que andar

Boa noite e até ao ano

Desculpem incomodar

 

Caixa de texto: Cantares de trabalho

Saramago Verde

 

Saramago verde,

Verde Saramago

A semente dele

 Cai no Santiago

 

Cai no Santiago

Vem no s. João

Quando está madura

Logo cai ao chão

 

Logo cai ao chão

Quando está madura

O amor, dos homens

É de pouca dura

 

É de pouca dura

É de pouco ser

O amor-dos-homens 

Não é P’ra valer

 

Não é p´ra valer

Não é P’ra durar

O amor-dos-homens

Dura até acabar

O de trás da laranjeira

 

O de traz da laranjeira

Não te podes ir embora

O meu pai não vai P’ra cama

Eu não posso ir lá fora

 

Eu não posso ir lá fora

Eu não posso ir a eira

o meu pai não vai P’ra cama

O de traz da laranjeira

Atirei uma azeitona

 

Atirei uma azeitona

Por cima de Braga fora

Atirei uma azeitona

Por cima de braga fora

 

Adeus porto adeus Braga

Adeus porto vou-me embora

Adeus porto adeus braga

Adeus porto vou-me embora

 

Atirei uma azeitona

Por cima da sacristia

Atirei uma azeitona

Por cima da sacristia

 

Deu na croca do prior

E era isso que eu queria

Deu na croca do prior

Era isso que eu queria

O Moreira Moreirinha

 

Ó moreira ò Moreira

O Moreira O moreira Moreirinha

Não te deites a afogar

Numa fonte,

Numa fonte ponte tão baixinha

 

Viva a Navais minha terra tão querida

Linda terra estremecida

Cantinho de saudade

Viva Navais viva ao monte viva a serra

Viva a nossa linda terra

Cantinho de liberdade

 

Linda Maria tens os olhos de limão

Anda cá dar um beijinho

Que eu dou-te o meu coração

Linda menina com tua saia de chita

Entre todas as mulheres ficas sempre mais bonita

Caixa de texto: As Janeiras
Era tradição em Navais   o cantar das janeiras  que por motivos que desconheço deixou de existir por volta dos anos 1955 .Essa atividade cultural foi retomada pelo Grupo folclórico os camponeses de Navais em 1983 até os dias de hoje, apresentando todos anos uma recreação dessa época  no salão da junta de freguesia
Eram sobretudo os pobres que cantavam as janeiras indo a casa dos mais abastados cantar à porta  que normalmente eram de seguida convidados a entrar para a cozinha para  comer algumas guloseimas de natal, como rabanadas, filhoses, figos , chouriço e vinho.   Isso era feito não como uma forma de diversão , mas sim como uma necessidade para muitas vezes  para matar a fome e saborear estas delicias de natal que não entravam nas suas casa devido a pobreza familiar